terça-feira, 17 de julho de 2012

Ramos separados...



Balada do Amor que não Veio

Se acaso penso em ti, me
inquieta o pensamento...
Por que havias de vir
assim tarde demais?
Bem que eu tinha
de há muito
um cruel pressentimento,
- e há sempre um desespero em nós,
se num momento
desejamos voltar a vida para trás...
Neste instante imagino o que teria sido
o meu vago destino desorientado,
se antes, eu já te houvesse um dia conhecido,
esse tempo, meu Deus!...
- e esse tempo perdido
pudesse ao teu convívio ter aproveitado!

Não há nada entre nós, nada...
e em verdade há a vida
que nos chama e nos prende!...
E já agora imagino
que aqui estás ao meu lado
a ouvir-me comovida
e me entregas a mão, --
e entrego-te vencida
a minha alma,

- e com ela todo o meu destino!

Não há nada entre nós,
- mas se nos encontramos
ouvirás de hoje em diante
um poema onde tu fores,
- trouxemos o destino estranho
de dois ramos, separados,
- que importa?
ainda assim nos juntamos
confundindo as ramagens,
misturando as flores...
E eu nem te vi direito!
JG de Araújo Jorge

2 comentários:

  1. Lindo este poema. (Misturando as flores) e também o perfume. Obrigada pela leitura.Um abraço

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