sábado, 6 de novembro de 2010

Os domingos precisam de feriados

"Toda sexta-feira à noite começa o Shabat para a tradição judaica. Shabat é o conceito que propõe descanso ao final do ciclo semanal de produção, inspirado no descanso divino no sétimo dia da Criação.
Muito além de uma proposta trabalhista, entendemos a pausa como fundamental para a saúde de tudo o que é vivo.
A noite é pausa, o inverno é pausa, mesmo a morte é pausa. Onde não há pausa, a vida lentamente se extingue.

Para um mundo no qual funcionar 24 horas por dia parece não ser suficiente, onde o meio ambiente e a terra imploram por uma folga, onde nós mesmos não suportamos mais a falta de tempo, descansar se torna uma necessidade do planeta.

Hoje, o tempo de "pausa" é preenchido por diversão e alienação.
Lazer não é feito de descanso, mas de ocupações para não nos ocuparmos. A própria palavra entretenimento indica o desejo de não parar. E a incapacidade de parar é uma forma de depressão. O mundo está deprimido e a indústria do entretenimento cresce nessas condições.
Nossas cidades se parecem cada vez mais com a Disneylândia. Longas filas para aproveitar experiências pouco interativas. Fim de dia com gosto de vazio. Um divertido que não é nem bom nem ruim. Dia pronto para ser esquecido, não fossem as fotos e a memória de uma expectativa frustrada que ninguém revela para não dar o gostinho ao próximo...
Entramos no milênio num mundo que é um grande shopping. A internet e a televisão não dormem. Não há mais insônia solitária; solitário é quem dorme. As bolsas do Ocidente e do Oriente se revezam fazendo do ganhar e perder, das informações e dos rumores, atividade incessante. A CNN inventou um tempo linear que só pode parar no fim.
Mas as paradas estão por toda a caminhada e por todo o processo. Sem acostamento, a vida parece fluir mais rápida e eficiente, mas ao custo fóbico de uma paisagem que passa.
O futuro é tão rápido que se confunde com o presente.
As montanhas estão com olheiras, os rios precisam de um bom banho, as cidades de uma cochilada, o mar de umas férias, o domingo de um feriado...
Nossos namorados querem "ficar", trocando o "ser" pelo "estar".
Saímos da escravidão do século XIX para o leasing do século XXI - um dia seremos nossos?
Quem tem tempo não é sério, quem não tem tempo é importante.
Nunca fizemos tanto e realizamos tão pouco. Nunca tantos fizeram tanto por tão poucos...
Parar não é interromper. Muitas vezes continuar é que é uma interrupção. O dia de não trabalhar não é o dia de se distrair literalmente, ficar desatento. É um dia de atenção, de ser atencioso consigo e com sua vida.


A pergunta que as pessoas se fazem no descanso é: o que vamos fazer hoje? Já marcada pela ansiedade. E sonhamos com uma longevidade de 120 anos, quando não sabemos o que fazer numa tarde de domingo.
Quem ganha tempo, por definição, perde. Quem mata tempo, fere-se mortalmente. É este o grande "radical livre" que envelhece nossa alegria - o sonho de fazer do tempo uma mercadoria.
Em tempos de novo milênio, vamos resgatar coisas que são milenares. A pausa é que traz a surpresa e não o que vem depois.
A pausa é que dá sentido à caminhada. A prática espiritual deste milênio será viver as pausas. Não haverá maior sábio do que aquele que souber quando algo terminou e quando algo vai começar.
Afinal, por que o Criador descansou?
Talvez porque, mais difícil do que iniciar um processo do nada, seja dá-lo como concluído."

Autor: Rabino Nilton Bonder

Precisamos ser lúdicos no verdadeiro sentido da palavra: movimento que tem como objetivo produzir prazer quando de sua execução, divertir.

Em tempo:
Acolhendo a interessante  sugestão do amigo Luiz Neves de Castro do blog: http://carrancasliterarias.blogspot.com/ (fica o convite para visitarem seu blog) adiciono o link para a música Paciência do Lenine, aproveitem:

17 comentários:

  1. Num sábado de pausa...adorei o texto!
    bjo

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  2. Elenir, querida, este texto é muito sábio! Como precisamos disso, não é? Descanso!

    (Preciso pedir para o meu amado ler isso... rs Ele só sabe trabalhar, inclusive aos domingos!!!)

    Ótima reflexão! Adorei! :)
    Beijos, querida.

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  3. Olá Elenir, Não sei se vc é adepta a prêmios, mas te indiquei para o Prêmio Dardos. Passa lá no meu blog. Um abraço,

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  4. Estou impressionado!

    Estava justamente às voltas com algo que me incomodava sobre a necessidade de fazer qualquer coisa em uma sexta-feira, menos ficar em casa. (meu dia de descanso é o domingo) Excelente texto, inspirou algumas idéias para alguns poemas!

    Bejo!

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  5. Do seu post:
    "Para um mundo no qual funcionar 24 horas por dia parece não ser suficiente, onde o meio ambiente e a terra imploram por uma folga, onde nós mesmos não suportamos mais a falta de tempo, descansar se torna uma necessidade do planeta."
    Do meu post:
    "Que fiz eu se nada mudou? Deveríamos viver mais no desassossego. Não haverá amanhã se não mudarmos o hoje."

    Conclusão, sob a forma de interrogação:
    Será que o desassossego permite um intervalo? Claro, mas assim não haverá amanhã!

    (gostei da sua visita...)

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  6. Olá garota Elenir, como está Jaraguá do Sul? Estou com saudades de vc pois acho que vc me visitou apenas uma vez.
    Vou esperar um tempinho seu, para receber uma visita OK?

    Beijão do Zé Carlos

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  7. Elenir, uma mensagem dessa magnitude era para ser postada em todos os blogs do planeta simultaneamente. Como sugestão, acrescentaria no final, um link para se ouvir a canção "Paciência" de Lenine:

    Mesmo quando tudo pede
    Um pouco mais de calma
    Até quando o corpo pede
    Um pouco mais de alma
    A vida não para...

    Enquanto o tempo
    Acelera e pede pressa
    Eu me recuso faço hora
    Vou na valsa
    A vida é tão rara...

    Enquanto todo mundo
    Espera a cura do mal
    E a loucura finge
    Que isso tudo é normal
    Eu finjo ter paciência...

    O mundo vai girando
    Cada vez mais veloz
    A gente espera do mundo
    E o mundo espera de nós
    Um pouco mais de paciência...

    Será que é tempo
    Que lhe falta para perceber?
    Será que temos esse tempo
    Para perder?
    E quem quer saber?
    A vida é tão rara
    Tão rara...

    Mesmo quando tudo pede
    Um pouco mais de calma
    Até quando o corpo pede
    Um pouco mais de alma
    Eu sei, a vida não para
    A vida não para não...

    Será que é tempo
    Que lhe falta para perceber?
    Será que temos esse tempo
    Para perder?
    E quem quer saber?
    A vida é tão rara
    Tão rara...

    Mesmo quando tudo pede
    Um pouco mais de calma
    Até quando o corpo pede
    Um pouco mais de alma
    Eu sei, a vida é tão rara
    A vida é tão rara...

    A vida é tão rara...

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  8. Olá Elenir
    A muito tempo não lia um texto tão bom assim. Cheio de verdades que passam despercebidas por nós na correria do dia a dia. Parabéns pela escolha.
    Obrigado pela visita
    Bjux

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  9. Elenir, sua sugestão além de pertinente, é necessária, indiquei o post do blog: http://dabusca.blogspot.com/2008/03/o-cheiro-do-ralo-cinema-e-psicanlise.html, uma excelente análise psicanalítica da obra de Lourenço Mutarelli, agregando valor a minha postagem na Egrégora: Carrancas Literárias. Muito grato e um carinhoso abraço

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  10. .

    Elenir, desculpa pela demora em te responder.

    Simplesmente me encantei por aqui.

    Que voltes sempre ao meu blog, será de um enorme prazer. Apesar de não postar palavras minhas, pois sou péssima com as palavras, mas posto o que leio e me encanta.
    Ás vezes penso que deveria ter obrigação de saber lidar com as palavras pela quantidade de livros que sempre li durante toda vida, mas aí chego aí conclusão que isso é um dom, o qual, infelizmente não tenho, então vou repassando palavras alheias. rsrs

    Beijos e sorrisos muitos.

    .
    .

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  11. é sempre bom faze ruma pausa par a...pensar...amar...estudar.. e já agora onde fica jaraguá do sul? meu deus,,, vou ao google ve rond efica
    kis :=):=)

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  12. eita sou a sócia (per)seguidora numero 100. prémio? quero um prémio!!!!

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  13. Adorei a forma como te (não) descreves...Vi o teu perfil!
    Ópa a AVOGI antecipou-se...Mau!
    Se não fosse ela era eu a seguidora 100!
    De qualquer maneira ficava sempre mal entregue...
    Beijinhos centenários*

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  14. olha olha a Tilida a querer tomar o meu lugar inda bem que cheguei primeiro. SOU A 100 nu«inguém tira daqui. kis :=) desculpa Elenir estar a tomar o teu sitio para estes despique com a Tilida tou a usar o teu espaço para a brincadeira. mas acho saudável estas picardias
    desculpa e volta sempre , ai não, quem tem de voltar sou eu
    kis :=):=)estou a rir e a sorrir com isto.

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  15. Já não sou a 100,o mundo está contra mim...

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