domingo, 23 de dezembro de 2012

E a eternidade é tudo o que me resta


 
A crepitação

Qualquer vida é naufrágio e perdimento.
Quando chegamos ao fim da restinga
encontramos apenas mar e vento.
Onde estão nossos sonhos? Um errante
raio de sol sumiu entre a folhagem,
dentro de nós o dia fez-se pálido.
Cercado pela luz da madrugada
e de mim rodeado, estou sozinho
entre as grutas da terra e a ira do mar.
Última luz da derradeira festa,
crepita na manhã a eternidade.
E a eternidade é tudo o que me resta.

 Lêdo Ivo

4 comentários:

  1. Obrigada, Edival!
    Sabe que tinha selecionado este poema um dia antes do falecimento dele. Precisei reler a notícia várias vezes para acreditar. Abraços

    ResponderExcluir
  2. Morremos várias vezes, dentro de nós mesmos.
    bjs.

    ResponderExcluir