segunda-feira, 11 de abril de 2011

Luta interna


"É contra mim que luto.
Não tenho outro inimigo.
O que penso,
O que sinto,
O que digo
E o que faço,
É que pede castigo
E desespera a lança no meu braço.
Absurda aliança
De criança
E adulto,
O que sou é um insulto
Ao que não sou;
E combato esse vulto
Que à traição me invadiu e me ocupou.
Infeliz com loucura e sem loucura,
Peço à vida outra vida, outra aventura,
Outro incerto destino.
Não me dou por vencido,
Nem convencido.
E agrido em mim o homem e o menino."


Poema: Guerra Civil
Miguel Torga

8 comentários:

  1. Essa fuga de nós mesmos, essa luta constante talvez seja o desejo escondido de nos conhecer por inteiro.

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  2. Não vejo como uma fuga, eu vejo como o desafio diário que temos que fazer para sentir a vida fluir dentro de nós!

    Muito bom!

    Bejo!

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  3. A declaração de Torga em Orfeu Rebelde,
    "Nasci subversivo.
    A começar por mim -
    meu principal motivo
    de insatisfação." para mim, explica a poesia.
    Eterno buscador, das coisas impossíveis.
    Gosto de Miguel Torga e gosto de vir aqui.
    Abraço.

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  4. Perfeito Poema. Não conhecia. Título melhor, não poderia existir.

    Um abraço,

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  5. Concordo com a Malu Machado. Tudo em perfeita harmonia.

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  6. Lembra-me um trecho da Bíblia(Romanos 7). Todos nós temos um senso perfeicionista que condena a parte desleixada. Não há como fugir disso, apenas aminar a situação.

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  7. Passeio pela poesia aqui presente. Presente de poeta é poesia.

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